sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O mito da razão única

Um estranho fato vem acontecendo há tempos na sociedade do conhecimento. A difusão das ideias sob á ótica da razão única.
Ora, o que significa isso para nós cidadãos?
Podemos dizer que este fato começa quando há circulação de notícias, especialmente fatos políticos, onde são difundidos uma única ideia, cujo objetivo é o convencimento a qualquer preço de que a ideia contrária está errada. Qual o perigo desta difusão?
O autoritarismo.
Governos anteriores governaram sob o mito da razão única. A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini levaram para a população a visão de que tanto o fascismo e o nazismo eram bons regimes e o que estes governantes estavam fazendo era para o bem da população.
No caso Brasileiro, aos poucos estamos vendo este caminhar a qualquer custo. A mídia, que tendenciosamente coloca suas opiniões favoráveis a um partido, tenta a qualquer custo difundir a ideia de culpa de que tudo que está acontecendo é culpa da Presidenta Dilma e o que é necessário neste momento seria a intervenção militar.
Este é perigo: o caminhar aos poucos ao autoritarismo e a destruição das instituições democráticas.
Mas não é somente no campo político que há o mito da razão única. Em outras esferas esta ação é muito bem aplicada.
Vejamos.
 Na educação vemos esta razão ser difundida para nós professores, inculcando-nos por meios dos professores universitários a didática correta para o ensino. Isto é um mito. Pois a ´prática docente e a teoria, que, muitas vezes nos são ensinadas são completamente dispares. Eis a razão do mito.  Na filosofia, o mesmo acontece. Formam professores de filosofia para o exercício de comentar filósofos e não para fazer o que Kant nos escreveu: filosofia é aprender a filosofar. E mais, este pensamento, de comentar textos filosóficos é tão em voga no Brasil que jamais ousamos pensar os problemas da nossa realidade sob a ótica da filosofia. Pois o mais importante é falar da filosofia europeia, considerada nos centros acadêmicos como a melhor, pois é a mais difundida
Com tudo isso, o que fazemos? Ignoramos todos os demais lados para difundir única e exclusivamente esta razão única, que nos coloca apenas um ponto de vista.
Maurício Tragtenberg ilustrou muito bem esta questão em sua obra, A delinquência acadêmica: o poder sem saber e o saber sem poder, onde nos colocar de que forma nos somos inculcados por meio de saberes que não dão opção de olhar para outros lados.
Ironicamente a tudo isso, apesar de estarmos vivendo em uma sociedade do conhecimento, parece que grande parte dos saberes difundidos são os que permanecem em voga, demonstrando toda sua eficácia ao difundir tais ideias.
Mais do que tudo, é necessário sempre olhar os dois lados da moeda, e desconfiar daqueles que tentar a qualquer custo nos convencer de que algo está errado e o outro está certo.

Só um desiquilíbrio pra inverter esta ordem!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Cultura da miséria, ignorância e submissão

O sistema escolar brasileiro talvez seja o grande responsável pela reprodução da ignorância, da miséria, submissão e é claro, analfabetismo.
Um país onde praticamente metade da população não consegue ler e interpretar aquilo que leu, realmente fica mais fácil de ser manipulado pelos governantes que aos poucos, estão desmantelando os direitos trabalhistas, com a famosa PL4330/2004.
Sem saber o que realmente se trata, ignorantes em si mesmos, os nobres parlamentares vão votando e colocando cada vez mais na cabeça dos brasileiros. Como um dia disse um amigo professor um ditado que é extremamente real: chapéu de trouxa é marreta! E nós brasileiros que simplesmente não sabemos o que se trata e o que é este projeto, ficamos simplesmente assistindo a votação acontecer, como se nada disso tivesse a ver conosco. Este é um dos aspectos principais da cultura da miséria, ignorância e submissão. Fingir que isto não tem nada comigo ou simplesmente ignorar.
Estes podemos dizer que são os idiotas, não no sentido que entendemos hoje, mas no sentido grego da palavra.  Na acepção original, idiota designava literalmente o cidadão privado, alguém que se dedicava apenas aos assuntos particulares em oposição ao cidadão que ocupava algum cargo público ou participava dos assuntos de ordem pública. O termo evoluiu de forma depreciativa para caracterizar uma pessoa ignorante, simples, sem educação. Popularmente, um idiota é um indivíduo tolo, imbecil, desprovido de inteligência e de bom senso. Idiotice é o produto daquele que é idiota.
Esta é a cultura da ignorância, deixar-se de lado para preocupar-se apenas com si mesmo.
Às vezes me pergunto: onde estão os indignados do Brasil? Por que se fossemos confiar nesta massa que colocam um bando de gente reacionária no congresso para nos ferrar e depois de fazerem seus projetos leis, estes mesmos idiotas vão as ruas protestar pedindo dignidade na política ou então, em caos que extrapolam a ignorância, a intervenção militar.
Com a educação submissa que temos, com essa massa  que não sabe para onde vai e que como bois vão seguindo seus destinos, não sabemos onde vamos parar.
Quando muitos destes jovens, que na maior parte, idiotas, e privados em si mesmos trabalharem, vão ver o que representa em muitos casos as mudanças do Brasil e suas leis.
Como diz o ditado popular, típico do contexto histórico da República Velha e usado por chefes políticos, expressa uma realidade caracterizada naquela época, transcrevo para os dias de hoje e cabe perfeitamente: Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei.
Evidentemente que somos os inimigos.



quinta-feira, 26 de março de 2015

Copismo: uma doença educacional


Que a escola pública é uma instituição falida e sem sentido para a grande parte de jovens e adolescentes, isto não é nenhuma novidade. Ivan Illicht já havia feio esta constatação em seu belo livro Sociedade sem escolas. Este livro é tão atual que não precisamos muito para verificar suas constatações e fatos.
Uma das constatações que podemos verificar na escola pública é aquilo que chamo de copismo. O que é o copismo? Como se fundamenta? Como se constrói? E como se alimenta?
A escola, para muitos pesquisadores é um local de aprendizado e reflexão sobe sua própria realidade e sobre outros fatos decorrentes. No entanto, o que vemos é justamente o contrário disso, e o que vemos é um espaço somente para a socialização dos seu habitantes e o conhecimento e reflexão tornaram-se elementos secundários.
Neste contexto, a aprendizagem se fundamenta em apenas um elemento: o copismo, que se resume em apenas passar o texto na lousa e o aluno copiar.
Esta prática comum na escola se fundamenta de diversas perspectivas: o desinteresse por parte dos alunos, a falta de estímulo dos professores, que, cansados de lidar com alunos que não querem saber, apenas passam o texto na lousa e nada mais, a falta de investimento e estrutura da escola e por fim, incentivo por parte da instituição para a diversificação das atividades em outros locais. Todos estes elementos fundamentam o copismo, que se tornou uma doença educacional que está começando cada vez mais cedo.
Surgindo desde os primeiros anos, o copismo mantém rapidamente os alunos em seus lugares 9em alguns casos) e com esta prática que já se tornou comum, os estudantes acham que este é modelo a ser seguido por parte dos professores. Aqueles que querem fugir do padrão e tenta levar os estudantes a outros patamares de reflexão crítica, se depara com uma dificuldade cognitiva imensa que foi perpetuada desde o início dos primeiros anos escolares.
Para os governantes e gerentes de educação que sempre falam em educação de qualidade, esta é uma exímia que acalma os corpos dóceis e os deixa em um estado de letargia, que, o que se vê é um montante de mortos vivos caminhando nas escolas apenas para exibir-se uns aos outros.
Esta cultura dócil, mas profunda e eficiente está matando a mentalidade de nossos jovens, que, a cada passar de ano estão cada vez mais inertes e submersos nesta prática.
Só um desequilíbrio para inverter esta ordem!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Desafios do governo Dilma

Dilma venceu as eleições segundo turno. Porém, a quantidade de votos dados ao seu oponente, Aécio Neves, do PSDB, é um sinal de alerta para o PT se reorganizar no próximo mandato. Para isso, algumas questões devem ser levadas em consideração pela presidenta.

Creio que a primeira questão que se deve entender por Dilma e seu partido, é entender como que Aécio Neves recebeu tantos votos. Somados a quantidade de indecisos e nulos, a quantidade de votos foi maior que os recebidos de Dilma e isto significa que há uma parcela considerável da população que votou contra Dilma.

Outra questão a se ver: a região sul e sudeste, onde o PT não consegue votos de jeito nenhum, o que acontece? Tentar perceber os motivos pelos quais de tanta rejeição, principalmente no Estado de São Paulo, deve ser uma das metas deste novo governo.

Dilma sabe que a partir de agora terá de mostrar mais serviço a população e avançar em alguns serviços sociais que não avançam de jeito nenhum, seja o partido que for. Dialogar com os demais partidos, será uma das metas da presidenta, que terá de ter muita habilidade para convencê-los de suas reformas.

O PMDB, já sinalizou que não concorda com Dilma, que pretende fazer uma convocação popular da sociedade civil para tentar fazer a reforma política. Este partido, que vai para onde o vento sopra, já disse que pretende fazer um referendo, e não um plebiscito.

Ora, qual a diferença entre plebiscito e referendo?

De maneira geral,  a diferença básica entre eles é que, no caso do referendo, a população é consultada sobre uma lei que já foi aprovada no Congresso, enquanto que no plebiscito a legislação é feita depois da consulta.

Ambos os referendo e o plebiscito são mecanismos de consulta à população para que ela delibere sobre um determinado assunto “de acentuada relevância”, como afirma a lei. A diferença básica entre eles é que, no caso do referendo, a população é consultada sobre uma lei que já foi aprovada no Congresso, enquanto que no plebiscito a legislação é feita depois da consulta.

Isto evidencia a intenção dos parlamentares. Eles tem medo da participação da sociedade civil, pois se acham donos do poder. Dilma terá de ter muito jogo de cintura para cumprir o que prometeu.

O ponto chave para o início de um governo diferenciado, seria um investimento massivo na instrução pública, coisa que há tempos não ocorre neste país. Para isso, é necessário investir na educação básica para que nós brasileiros saiamos da ignorância perpetuada até os dias de hoje.

Só um desequilíbrio pra inverter esta ordem.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

MARINA SILVA: UMA TERCEIRA VIA?

Marina Silva iniciou sua carreira no PT, ganhou notoriedade, prestígio internacional, mas abandonou o barco devido a divergências políticas.
Buscou novos rumos, propôs alternativas e foi parar no PV, um partido completamente disperso e que se assemelha a um PMDB, cujo pragmatismo político é voraz na busca pelo poder. Depois do PV foi para o PSB, e criou sua sigla, A REDE. Ainda dentro do PSB, encontrou um Partido Socialista Brasileiro, que anda fazendo alianças com partidos da social democracia, como PSDB.
A esquerda de Marina e PSB não existem mais. Cedeu lugar para o jogo das velhas raposas da política brasileira.
Ora, Marina Silva se auto intitulou como a terceira via, capaz de superar a polaridade criada entre PT e PSDB que vem há anos disputando o poder. Porém, Marina não percebeu que sua terceira via fracassou, deu lugar a alianças que antigamente não fazia de jeito nenhum, mas hoje faz, e está apoiando neste segundo turno Aécio Neves.
Marina Silva, A REDE, e PSB, são personagens que representam a pura contradição. Um partido que se diz de esquerda e socialista, e apoia Aécio Neves, que representa a direita brasileira. E é esta a política contemporânea, vazia de ideologia e repleta de conchavos e acordos em busca pelo poder.
Cabe lembrar que após se debandar para o PSB, Marina levou consigo seu grupo que não conseguiu a criação de um partido político, A REDE, que é semelhante ao PMDB, com pessoas das mais diversas tendências políticas dentro de um partido. O problema de se adotar um partido desta forma é justamente na hora de se fazer acordos. E Marina está penando no segundo turno com tais questões.
Maior parte do PSB apoia Aécio, Marina também, mas uma parcela de membros do PSB querem que este partido seja realmente de esquerda e que não se aproxime de um discurso social democrata, como vem acontecendo nos últimos anos. Mas o que isso tem a ver com Marina?
Como muitos membros querem que o PSB seja um partido realmente de esquerda, estes entendem que Marina não é uma representante de esquerda, ao contrário. A cada eleição adota posturas diferentes e se este grupo que deseja ver o PSB como um partido de esquerda, certamente Marina não terá espaço e terá de agilizar a legalização da REDE.
Talvez aí esteja a chave para o povo não ver em Marina  uma consistente candidata capaz de superar  a dicotomia provocada entre PT e PSDB.
Estas mudanças constantes foram vistas pelo grande público. Adotou conselhos de Silas Malafaia, que é um reacionário de primeira linha, mudou de posições constantemente e não passou firmeza em seus discursos. Realmente, não se apresentou como uma candidata capaz de se ver como uma terceira via.
Como se vê, a prática política de Marina não se mostrou em nada de diferente dos demais candidatos. Não houve uma tentativa de superação capaz de se apresentar como um projeto político novo para os brasileiros.
No geral, Marina tentou, mas não foi capaz de mostrar realmente o que pensa.
Ficou na mesma dos outros. Sem novidades. Do contrário.

Perpetuou ainda mais a velha política. 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Os leitores sem leitura: reprodução e submissão

Brasileiro só entra na livraria em dias de chuva. Esta frase é de Antônio Abujamra e faz todo o sentido  neste país., que é uma sociedade de letrados sem leitura.
O que isso significa?
Em uma país, onde a educação não é prioridade, os livros constantemente cedem espaço para outros tipos de leitura: mensagens de facebook, celular, e revistas de autoajuda. Isto significa dizer que a grande massa não é leitora de livros e em muitos casos, não há interesse para isso.
Segundo a câmara brasileira do livro, há quase 90 milhões de pessoas letradas no Brasil, mas uma significativa parcela simplesmente não lê nada, e estes somam 14 milhões. Todos com menos de 15 anos.
Este grupo representa 15% total dos brasileiros capazes de entender o que se lê. Este é chamada de elite cultural. Grande parte desta "elite" lê por obrigação e não tem prazer em ler, e admitem ter falta de paciência para ler.
Esta é a nossa elite cultural.
Outros dados nos chama atenção:
O Brasil tem 1.800 livrarias, metade fica no estado de São Paulo, cuja capital tem 200 livrarias. Rio de Janeiro tem 250, Acre e Amapá 3.
Além disso, temos uma livraria para cada 84.500 habitantes.Países como Estados Unidos tem 1para 15 mil,Argentina 1 para 50 mil.
O pouco acesso somado a falta de interesse, talvez explique o espírito de rebanho que temos por aqui. Mas, afinal de contas, o que estes dados nos revelam?
Uma postura reprodutora em opiniões, um forte espírito de rebanho, e principalmente, a ausência de espíritos livres que repetem tudo aquilo que lhes é inculcado em suas mentes.
É neste contexto que se pode ver que a dominação de um senhor sobre uma multidão parece ser tão real, que a maioria não percebe os golpes da mão invisível que esmaga sem dó em diversos aspectos de suas vidas.
Esta reprodução, somada a dominação, se transforma pura e simplesmente em submissão. Pois os dispositivos são tão sutis que somente um espírito livre para perceber.
Estes que não são leitores não conseguem perceber as nuanças de uma repressão, tão quanto os golpes de uma mão invisível. Pois aqueles que desconhecem os principais aspectos da cultura e história, dificilmente conseguem enxergar aquilo que lhes é imposto.

Aceitando passivamente, vivem a vida como um fato normal e nada questionam. Tudo é natural e trivial.   

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Nirvana: o último suspiro do rock.

" Eu não quero ser nenhum herói do rock. Eu não quero ser o cara com a mensagem certa para tudo. Eu não tenho cabeça para isso. Apenas toco baixo em um abanda" ( Kirst Noveselick)

A frase acima deixa claro que a banda de Seatle Nirvana nunca se preocupou com o sucesso, nem tampouco com a indústria cultural que ditava regras para as bandas. Do contrário, Nirvana foi o último suspiro do rock. 
Porque? 
Desde o início do Rock nos anos 50 com Elvis Presley, presenciamos atitudes radicais e ao mesmo tempo uma música que se apresentava como mudança de atitude e de comportamento. Os anos 60, 70, 80 e até meados de 90 perdurou esta atitude. Todas com cunho político e preocupações sociais. Os anos 60, por exemplo, viveu a realização de projetos culturais nascidos na década anterior. Os anos 50 foram marcados pela crise na moral e bons costumes, e a segunda metade dos anos 50 já pronunciava o que viria nos anos 60, não somente na música, mas em todos os campos da cultura. A literatura de Jack Kerouac, o rock de garagem à margem dos astros do rock, os movimentos de cinema e teatro davam o tom do que seria a década seguinte.
A década de 60, com diz a maioria dos estudiosos pode ser dividida em duas etapas. A primeira etapa é marcada por um certo idealismo em relação as lutas com o povo. A segunda metade desta década, que vai de 1966 até 1968, é o auge da rebeldia que viria a definir os anos 70: a experiência com drogas, e a perda da inocência, a revolução e o famoso maio de 68 dão o tom da revolta da juventude em relação aos governos. Beatles é o grande exemplo desta transformação. No início da carreira, as doces melodias e a lestras de amor eram as características principais, porém, fizeram grandes transformações ao assumirem a excentricidade psicodélica, incluindo orquestras, letras surreais e guitarras distorcidas e o engajamento político de John Lennon.
Podemos notar também a presença radical da mudança de comportamento: o  movimento hippie com seus protestos contra a guerra do Vietnã, e o surgimento de outros movimentos mostraram ao mundo que os jovens estavam cada vez mais engajados politicamente. É neste contexto que vários países do mundo estavam vivendo situações extremas de totalitarismo e repressão política, e o rock, como expressão máxima de contestação, foi um importante instrumento para a divulgação de idéias revolucionárias. 
No Brasil, o grande exemplo cultural que se tem é o movimento tropicalista,e diversos cantores de MPB, como: Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Velozo, entre outros, mostraram que a música era um importante instrumento de contestação a ditadura militar. 
É importante dizer que desde o início do Rock, surgido nos subúrbios dos Estados Unidos na década de 40 e início dos anos 50, até os dias de hoje, viveu-se várias transformações em diversos movimentos, tais como: Surf music, era de ouro, Garage Rock, Folk Rock,Rock psicodélico, punk rock, pós punk e New Wave.
E nos dias de hoje, o que temos? 
Parece que o último suspiro do Rock enquanto música de atitude e contestação foi nos anos 90 com o Grunge, estilo de música voltado para sons pesados e distorcidos, mas sem ser metal. A principal banda desse estilo era o Nirvana que tinha um som voltado para o alternativo. Bandas como Soundgarden e Alice in Chains tinham um estilo mais inspirado no metal e no hard rock, Pearl Jam puxava mais para o lado do hard rockrock clássico e rock alternativo.
Apesar de viverem na mídia, a maioria destas bandas nunca deixaram de lado suas atitudes para com a indústria cultural, negando-a completamente, sem deixar que esta contaminasse o estilo das bandas
Nos dias de hoje o que ocorre é um esvaziamento acerca da música, onde o contexto histórico parece determinar as condições das músicas do Rock em geral. Como uma vez disse a banda The Jesus e Mary Chain "the rock 'n roll is dead", parece ser verdadeira hoje em dia. 
Se compararmos a história do rock, seu movimento e verificarmos, veremos que o Nirvana foi o último suspiro do Rock enquanto Juventude Rebelde , e este pretenso esvaziamento se aflora na maior parte das bandas, onde cada uma vive em sua ilha, onde não há conexão com movimentos, como o Grunge, que parece ter sido o último suspiro do Rock. 
Com tanta liberdade de expressão, parece que o Rock se perdeu e não sabe voltar ou tentar ser melhor do que foi. Do contrário, falece a cada instante passado. 




  

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O amor nos tempos da web

Ele a curtia todos os dias quando visualizava seu perfil, acompanhava atentamente suas postagens, suas notícias e seus assuntos, no ímpeto de ver vídeos, álbuns e fotos, mudanças de avatar!
Deixava comentários cults, se fazendo de inteligente, de sabichão do presente. Ficava horas a fio teclando suas confidências, suas carências, sua ausência de amor e sua rotina do dia a dia.
Na intensidade de suas declarações, ficaram amigos, conversavam todos os dias, e sem querer estavam conectados um ao outro. De repente, como quem se ausenta e se perde ficaram sem conexão, sentiu-se desconectado, parecia à morte ficar distante do mundo virtual. Quando deu por si, estava completamente alheio a realidade que o cerca. Perdia horas a fio em conversas, bate papos, cochichos e, sobretudo, em querer saber um pouco mais do perfil do então amigo.
Passava horas a buscar informações sobre o pretendente, buscava saber seus gostos, suas preferências e a cada dia notava que este não se encaixava em seu perfil. Mesmo assim, curtia todos os posts de seu amigo, às vezes se enciumava com as publicações mais íntimas e de vez em quando o bloqueava.
Como quem não quer nada, como um passar de um tufão, bloqueou seu amigo. O motivo, ninguém sabe, o que acontece em um instante vai e vem e assim o então pretendente sumiu, permaneceu off line durante muito tempo. Não havia mais carinhas do emotions, nem sinais de positivo. As mensagens desapareceram, não havia mais nenhum sinal e assim permaneceu, sem nada.
Foi assim que iniciou uma nova busca...




segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rebanho: cultura subjugada

O gosto artístico do brasileiro não é feito por ele mesmo e isto é um fato. As mídias em geral impedem-nos de conhecermos a diversidade e a riqueza cultural que este país tem. Ficamos a mercê daqueles que julgam e divulgam as novidades a serem degustadas, com isso, o gosto torna-se padrão.
Basta olharmos ao nosso redor e vermos o que está em voga: 50 tons de cinza, Funk, Michel Teló, Anita e entre outros que se passam por aí...
Cabe-nos a perguntar: o que acontece que desconhecemos completamente a diversidade cultural artística do país?
É estranho, mas muitos artistas que aqui são completamente ignorados, em outros países fazem imenso sucesso. Ignoramos nosso produto e aceitamos o que vem de fora. Não se trata de nacionalismo, nada disso. Se trata da ignorância que promovemos ao não conhecer o que é produzido por aqui.
Sabemos que a indústria cultural é responsável por promover o rebanho da cultura subjugada  Por este termos entendemos a formação de um grupo (que não é feita por ele mesmo) cujo objetivo é a promoção do gosto que lhes foi inculcado para outros grupos, criando um rebanho, uma cultura padrão, subjugada.
É estranho ver o que acontece nos dias de hoje, com tanta mídia alternativa e a promoção daquilo que não se vê e nem se ouve em rádio ou televisão. Só podemos concluir que a eficiência destes aparelhos é extremamente poderosa.

A falta de diversidade cultural entre nós faz isso: cria um rebanho subdesenvolvido e subjugado  cuja visão se estreita ao horizonte das costas um do outro, impedindo-nos de expandir e buscar as variedades que rolam por aí. Com isso, permanecemos em um estado de menoridade, do qual não se consegue buscar ou julgar qualquer coisa por si mesmo, criando uma eterna heteronomia face ao gosto que criamos.     

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O colapso da moral

Nelson Rodrigues talvez seja o grande prosador da anti-moral e bons costumes. Seus personagens ilustram muito bem as fraquezas e desvios humanos. Em um tempo do qual Zigmam Baumam chamou de era líquida, os valores tradicionais esvaziaram-se. É por isso que Nelson Rodrigues mostra-se tão atual.
Em uma de suas peças, Toda nudez será castigada, Nelson nos coloca em uma verdadeira sinuca de bico e chuta de vez a moral pras cucuias. Os personagens, Herculano, homem conservador que, ao ficar viúvo, perde a alegria de viver, Geni - prostituta que vive a obsessão de morrer de câncer no seio, Patrício - é irmão de Herculano, um homem do mundo, bon-vivant que aposta nos cavalos e vive ladeado por prostitutas; está endividado, Serginho - filho de Herculano possui tendências homossexuais e oscila entre o conservadorismo das tias e o liberalismo do tio, vivem verdadeiros dilemas.
De maneira geral, a peça conta a tragédia de Herculano. Após a morte da esposa, até então sua única mulher, ele encontra-se num estado de depressão, pensando inclusive em se matar. Uma presa fácil para o seu irmão Patrício, que culpa Herculano pela sua falência. Prevendo que a castidade do irmão seria sua fraqueza, Patrício o estimula a conhecer Geni, uma prostituta a quem ele deve uma quantia. Assim, ele poderia se vingar de Herculano – colocando-o entre o desejo sexual e a promessa que fez ao filho, Serginho, de que nunca mais teria outra mulher na vida – e, ao mesmo tempo, garantir seu sustento pago pelo irmão.
Herculano se apaixona por Geni, e fica preocupado com o fato de seu filho, que apresenta um comportamento conservador, saber de seu caso com a prostituta. É neste contexto que Serginho sofre um estupro na cadeia. Os quatro nutrem um fanatismo que beira o doentio em relação à esposa falecida de Herculano, a ponto de Serginho visitar o túmulo da mãe e sonhar com a sua presença todos os dias. São passagens tão estranhas que, perto delas, os hábitos extravagantes de Geni tornam-se aceitáveis. Porém, a peça não se restringe a crítica à religião, mas mostrar que ela é um discurso usado para suavizar a hipocrisia da sociedade de aparências.
O ponto cerne e o toque de mestre de Nelson Rodrigues acontece quando Herculano se casa com a prostituta e Serginho trai o próprio pai. Serginho mantém um caso com Geni, pois considera uma traição do pai se casar com outra mulher. Quando Geni está perdidamente apaixonada por Serginho, este resolve viajar com a desculpa de estar com vergonha do estrupo sofrido, mas na realidade, foge com o homem que o estuprou.
Este é um grande exemplo do qual podemos chamar de colapso da moral, ou seja, a falência múltipla dos valores tradicionais.
Ora, por que isso acontece? Simples, porque há novas formas de vida que estão surgindo e com isso, a grande mídia se alimenta destes comportamentos para realizar seus discursos ideológicos totalmente carregados de idéias vazias e sem nexo, promovendo a ignorância em âmbito nacional.

As transgressões expostas nos romances de Nelson Rodrigues explicitam isso, não há um padrão moralmente correto, mas sim, comportamentos humanos do qual o ser humano se faz.  Este fato faz evidenciar que o considerado certo e errado foi suspenso por atitudes anti-tradicionais. Eis a era líquida, os valores mudaram, os comportamentos também, e é justamente nisso que se encontra o colapso da moral, no desencontro das verdades pré-estabelecidas e no desvio constante delas.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A ditadura da diferença

Temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza, temos o direito a ser diferentes, quando a igualdade nos descarecteriza”.(Antônio Teodoro)


A frase de Antônio Teodoro, sociólogo Português, pode servir muito bem para o tema aqui proposto: a ditadura da diferença.
De ante-mão, convém explicar a polêmica do tema. Há muito tempo se iniciou um debate em torno das minorias, porém, nota-se que estas mesmas minoria às vezes tentam nos impor goela abaixo seus padrões.Quem se prontifica ao contrário acaba  sendo taxado de reacionário.
Quando Feliciano apresentou seu polêmico projeto, houve uma ausência de fundamento sobre o debate e uma multidão caiu de pão em cima dele. Claro que Feliciano não é dos melhores em sua retórica e suas falas beiram o delírio, porém,  com lidar com tudo isso? Seguindo a baixaria padrão da mídia? Ou fundamentar e ver as causas do debate?
O exemplo de Feliciano é um grande exercício de se pensar os lados oponentes que não se acordam. Seguir o jogo de ofensas e delírios midiáticos só mostram como a gente segue facilmente a manada em suas opiniões.
A rasura predominante nos debates coloca em evidência a falta de busca e investigação de suas causas e problemas de propostas, e é neste contexto que fomentamos a cegueira social predominante nos dias de hoje, tentando impor a qualquer custo nossas opiniões.
Este contexto de humilhados e ofendidos talvez seja usado apenas como estratégia para a não compreensão de fato do problema de debater os projetos propostos a nós cidadãos.
Resta a nós apenas um desafio: debater, respeitar e não se valer deste jogo bárbaro que a mídia alimenta e incute em nossas cabeças.





quarta-feira, 1 de maio de 2013

O discurso politicamente correto: entre a censura e o autoritarismo


Existe uma onda em nossa sociedade onde tudo é motivo de debate e censura. Isto me preocupa. Primeiro porque as pessoas estão ficando cada vez mais chatas, segundo, porque, este discurso do politicamente correto que beira o desvario está cada vez mais comum em nosso cotidiano. Sociedades autoritárias disfarçadas de democráticas.
Esta chatice, típica do que se diz certo ou errado, censura até comemoração de gols no futebol. Neymar, por exemplo, fez uns gols por aí e recebeu cartão amarelo por indisciplina. O veterano Rivaldo foi censurado por comemorar seus gols colocando a camisa na cabeça. Ora essa, até para se comemorar um gol nos dias de hoje tem de se comemorar conforme a regra! Imagine se Viola jogasse nos dias de hoje e comemorasse a sua maneira. Coitado! Certamente seria censurado do futebol.
O último perseguido que deu o que falar foi o escritor Monteiro Lobato. Desconectados da realidade e da história, estes censores estão acusando o autor de Sitio do Pica Pau Amarelo de racismo. Esta acusação totalmente desconectada de seu contexto está desajustada. Grupos representantes do movimento negro dizem que o autor é racista por escrever negrinha e outras coisas. Trata-se de uma ignorância sem tamanhos. Ora, que censura é essa?
Imagine se esses censores lessem Marx, Aristóteles, Hegel e Platão. Este é perigo do discurso politicamente correto: dizer o que é certo, errado, o que pode e não pode. Pondé tem razão ao dizer que esta sociedade está ficando cada vez mais chata por caminhar rumo ao facismo.
Digo mais, a porta da ignorância está ficando cada vez mais aberta aos leitores desavisados e juízes de valores que pretendem reestabelecer a ordem dos bons costumes.
Que papo furado!
Caminhar por esta estrada supostamente correta, onde os recônditos do asylum ignorantiae ganham força, uma nova face parece surgir, o AI-5 com cara renovada e justificada. Toda esta ordem soa como já dizia Bakhtin “um pensamento autoritário como tal”. Devemos desconsiderar este discurso, e ignorar estes homens!

sábado, 20 de abril de 2013

Considerações sobre o nilismo e juventude


Nos dias de hoje a ausência de sentido parece tomar as ruas. Desde os jovens até os mais velhos, vemos que a maior parte das pessoas não estão mais preocupadas com maiores questões. A desvalorização, a morte de sentido, a ausência de finalidade e de respostas parece dominar o cenário atual. Ora, porque isto está tão comum nos dias de hoje? Os valores tradicionais caíram por terra e os princípios e critérios absolutos dissolveram-se. Tudo foi colocado em uma nova ordem, da qual muitos não sabem, mas compactuam como se fossem meros partícipes. Esses valores, antes, ancorados em verdades absolutas, hoje, estão despedaçados e o futuro próximo parece estar longe de nossos olhos.
Esta visão pode ser chamada de nilismo, que pode ser considerado uma descrença em qualquer fundamentação metafísica para a existência humana. Não se trata de algo difícil de ser definido, mas de ser apreendido. Sendo o nilismo um nadismo, pois usa tradução pode ser entendida desta forma, o nilismo não possui qualquer conteúdo positivo. Por se tratar de uma consciência negativa, esta só pode ser entendida na medida em que entendemos o que ela nega. Eis o ponto onde chegamos e queremos debater. A juventude de hoje, pretensamente nilista, descrente em valores, tem compreensão sobre o que se nega?   
Creio que não, e por uma simples razão. Os jovens de hoje são reprodutores de opinião midiática. Seus conceitos, valores e ideias em geral estão ancorados nestes aparelhos ideológicos que muitas vezes formam suas mentes. A ausência de critérios, criticidade sobre os eventos da sociedade é sinal de que estes não sabem onde sequer estão. A apatia sobre estes eventos seria um reflexo destes aparelhos que produzem ideias e comportamentos, dos quais, estes seguem sem saber. Neste sentido, poderíamos considerar, se o nilismo é esta descrença sobre qualquer fundamentação, (consciente sobre as coisas) a juventude de hoje não está neste patamar. O que queremos dizer é que estes não precisam saber do nilismo para o ser como tal, mas saber por que negam tais fundamentações e fatos, o que não acontece.
E assim, estes permanecem na inércia e espera de uma opinião para poder dizer, ou reproduzir algo.
O saber e justificativa por uma negação não há. E o que há então?
Reprodução.
Nada mais.


terça-feira, 9 de abril de 2013

IIdílica estudantil: um diagnóstico


“Nossa geração teve pouco tempo, começou no fim, mas foi nossa procura, ah, moça, como foi bela nossa procura, mesmo com tanta ilusão perdida, quebrada,mesmo com tanto sonho, onde até hoje a gente corta”

Durante os anos 70 acreditava-se que o marasmo cultural que assolava o país era devido à ditadura militar. Acreditava-se que com a ditadura e o fim da censura, os jovens se mobilizariam em prol de um novo país, uma nova ordem.
Não foi o que aconteceu...
Com a abertura política nos anos 80, não foi nada disso que aconteceu. Os movimentos continuaram dispersos e uma pequena parcela de jovens ousou rebelar-se. Tratava-se de uma pequena herança de maio de 68.
Ora, qual a causa desse marasmo?
O esvaziamento provocado pela mídia, talvez seja um dos principais contribuintes. Nos dias de hoje, não se preocupa mais com política, que virou coisa de gente doida. Em um país com mais da metade da população declarada analfabeta funcional, torna-se difícil funcionar alguma coisa.
Um projeto comum?
Qual seria o objetivo?
Que droga da obediência é essa que os jovens de hoje não sabem olhar o palmo que se encontra aos seus olhos? Resignados, em pleno estado de nilismo, sem consciência é claro! Vivem, ou melhor, sobrevivem de forma heterônima.
Mas, o que importa então? O imediatismo longe do Kayrós que tanto foi procurado. Deste modo, os herdeiros de maio de 68 nem existem mais, se existem estão nos recônditos de algum lugar que não os atinge. Enquanto os jovens de hoje, no Brasil, nem sabem o que foi maio de 68. Vivem na zona de conforto de suas pacatas vidas repletas de alienação espalhadas em facebooks, jornais, TV e etc.
Resignados, encontram-se e assim permanecerão. Distantes de tudo.
É a perda do espanto. 

domingo, 24 de março de 2013

Qual é a graça de espiar a vida dos outros?



Um espectro ronda a vida pública. Não é o comunismo. Antes fosse. Agora, o que preocupa alguns pesquisadores são as razões do sucesso de programas como BBB e a fazenda.
Antigamente as pessoas questionavam porque se perdia tanto tempo assistindo novelas, agora, tentam entender porque há tanto sucesso em ver tais programas. Hoje, se questionam sobre estas novelas reais.
No passado a questão era a privacidade, o fascínio pela intimidade invadida, um voyeurismo que fingia acreditar que era realidade ver aquela vida ali exposta. E hoje, o que está acontecendo com os tempos atuais, onde a inversão de papéis esta na cara de todos?
O que se pode ver nas TVs de hoje? Sexo, nudez, violência gratuita, baixaria, narcisismo básico e polêmicas, muitas polêmicas.
No fundo, tudo parece banal. O excesso de aparições mostra a falta geral de qualquer personalidade. O que querem todos que assistem a tais programas? Porque há tanta mobilidade social para votar em alguém que não merece receber os milhões de reais? O que acontece para as pessoas não se mobilizarem para algo que mexa realmente com os rumos deste país.
Claro. Não sejamos hipócritas. Sabemos que a onda de corrupção, a falta de seriedade dos políticos e de tudo que acontece neste país, só enraivece cada vez mais as pessoas que simplesmente não querem saber dessas coisas. Querem se distrair destes fatos e esquecer toda essa palhaçada.
A promessa de que vamos espiar, fazer uma vida transparente é pura balela.
Vivemos em tempos voyeurísticos, cuja finalidade é dar condições de acesso a este tipo de informação.
Este é o retrato do presente.   

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Onde estão os indignados do Brasil?



“Quando a gente olha para as coisas grandes, situação política, o aquecimento global, a pobreza do mundo, tudo parece mesmo horrível, nada está melhorando, não há nada de bom para esperar . Mas então eu penso nas coisas pequenas...sabe como é, uma garota que acabei de conhecer, ou essa música que a gente vai tocar com o Chas, ou brincar na prancha de esquiar na neve, no mês que vem, e ai parece ótimo. Então meu lema será este: pense nas coisas pequenas. (Ian McEwan. Saturdy)  

Cada vez mais os brasileiros se interessam menos por política. Desde o início da república, a grande parte assiste a distância os processos políticos regados a grandes doses de corrupção. No Brasil, a atividade política se tornou um verdadeiro show de Stand-up comedy. Aleinados e desinteressados, todos são vitimas de um longo processo que os faz ficar a margem da construção da historia da política brasileira. Este apolitismo é internalizado e muitas vezes acredita-se ser a postura mais correta diante de tanta corrupção.
A grande descrença e a falta de um horizonte se da na medida em que suas relações com as instituições políticas são praticamente nulas. Principalmente com relação aos candidatos que de quatro em quatro anos iniciam o ciclo vicioso de promessas do paraíso terrestre.
Este verdadeiro show político, onde a utopia foi esfacelada, acertou em cheio a pobre mentalidade brasileira. Deturpadas, as pessoas entendem (em sua maior parte) que a atividade política é um verdadeiro escândalo aos olhos dos que crêem em alguma coisa neste país.
Mas, como conciliar a apatia deste povo, o individualismo que assola a sociedade contemporânea?
Uma coisa é certa. O individualismo encontra-se enraizado em dois pólos. Primeiro está  nos representantes parlamentares, que como figuras publicas representam apenas seus próprios anseios, esquecendo o bem comum a população.. Segundo, o próprio povo, que com sua apatia, pensa apenas em suas vidas pacatas, achando que a política é uma causa perdida.
Sendo assim, o Brasil seria um país de idiotas?
Ao acreditar que o mais correto seria ficar distante de todo esse processo, o brasileiro assume a postura de preocupar-se apenas consigo. Neste sentido, a palavra idiota parece que cai como uma luva nas mãos do brasileiro. Na Grécia antiga, idiota (idiotes) é aquele que se preocupa com sua própria vida, em assuntos particulares. Neste sentido, a resposta a pergunta parece ser sim, na medida em que a população brasileira mostra-se mais preocupada em encher a geladeira do que participar ativamente dos eventos políticos.
Só um desvio para reverter esta ordem!          

domingo, 17 de junho de 2012

O custo social do progresso


Algumas pessoas dizem por aí que vale a pena fazer qualquer coisa para o país progredir. Outros preferem o contrário. Em uma sociedade supostamente preocupada com a ética, em que medida se torna possível realizar o progresso de um país tão complexo como o Brasil?
Dizem que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi um grande exemplo acerca da questão. Ao ser eleito presidente da república na enésima tentativa, Lula teve de aliar-se com pessoas de índole pra lá de duvidosa. Ora, qual o problema deste fato? Dar a mão ao inimigo, é o que dizem.
Para o Brasil evoluir economicamente, dizem os políticos por aí, Lula teve de rasgar suas lições aprendidas no partido dos trabalhadores para melhorar a vida dos próprios trabalhadores. Os mais radicais dizem justamente o contrário. Lula foi um pelego que traiu os trabalhadores ao aliar-se com Sarney, Collor e companhia, para ceder cargos para partidos duvidosos. Ora, a questão não seria saber se a classe trabalhadora que na maior parte tornou-se classe média melhorou de vida? Ou, debater a finalidade de tais alianças? 
De todo modo, o que é preciso saber é: o progresso é um mito renovado por aparelhos ideológicos interessados em convencer que a história tem um destino certo e glorioso. Neste sentido, seria uma insensatez negar os benefícios do governo Lula, porém, convém analisar os riscos ao aceitar o argumento de que Lula mudou para a melhoria de vida do povo. Ou então, para usar um exemplo engraçado acerca do tema. Maluf rouba, mas faz!    
Mas, esse tal progresso, discurso dominante das elites em todo canto, traz também em si paradoxos: exclusão, concentração de renda, subdesenvolvimento (em todos os aspectos), e restrição de direitos humanos essenciais.
Mais inquietantes são os riscos decorrentes trazendo em si seus dilemas éticos e morais.
Basta fazermos uma pequena constatação. O século XX com seus imensos saltos tecnológicos e científicos trouxeram guerras, mortes, tragédias e misérias. Fez brotar desenvolvimento? Sim, fez. Contudo, mal sabemos os riscos que corremos e os problemas futuros que ele pode ocasionar.
Antes de qualquer análise é preciso saber quem determina e quem escolhe a direção desse tal progresso e com que objetivos é escolhido. Se não, ficaremos na omissão embevecida do rebanho do que da ação crítica vigorosa que merece este debate.

sábado, 14 de abril de 2012

Leis de ameaça

É proibido proibir!

Desconfio daqueles deputados que em nome dos cidadãos inventam leis estranhas sob a justificativa de fazer o bem para a sociedade. Existe muito parlamentar por aí querendo proibir o chope nas calçadas, o quentão nas quermesses, a cerveja nos camarotes de carnaval, o vinho nas festas de nossa senhora queropita, a caipirinha nas praias e o champanhe comemorativo da formula 1...
Estamos caminhando cada vez mais para uma sociedade purista e careta.
De vez em quando somos ameaçados por projetos leis destes nobres parlamentares que não acrescentam em nada na vida dos cidadãos. Qual seria a justificativa para tantas leis proibitivas? Será mesmo esta a alternativa, proibir?
O fato destes senhores de leis proibirem tanta coisa evidencia cada vez mais um fato, o pânico do debate público destes ofendidos que visam tomar conta do pensamento público, esmagando e passando por cima de tudo que não concordam. Ora, colocar em xeque a liberdade do cidadão baseados em leis proibitivas não adiantam nada, de uma forma ou outra, estes leis serão burlardas e as pessoas vão continuar fazendo seus atos, sejam proibidos ou não.
O problema disso tudo é o medo que estes puritanos têm da afirmação da vida para além do bem e do mal. Morrem de medo de Eros e tentam se esconder em um asylum ignorantiae inundado pelo pânico da hostilidade primitiva do mundo.
A realidade para estes senhores conservadores de leis é insuportável e a verdade apresentada nua e crua é uma ferida que os agride o âmago de seus seres. Quando tais medidas são propostas, basta verificar o horror contido no discurso, e olha que estamos escrevendo apenas alguns projetos, deixando de fora, por exemplo, a proibição do uso de estrangeirismos proposta por certo bigodudo gaúcho.  
O espírito desta classe que nos “representa” não passa de puro ressentimento, por isso, estes puritanos da ordem temem qualquer abalo em seu mundo do bem. É neste sentido que leis são criadas, trazer benefícios para aqueles que compactuam com esta visão de mundo estreita e ameaçadora. Esta bancada que se define pela moral dos bons costumes e do bem, assumem ares de moral extremamente ameaçadores, por isso, escondem-se em miúdos projetos que nada dizem.
Nobres parlamentares, ao invés de preocupar-se com estes projetos inúteis, que tal elaborar uma lei que proíbe a corrupção?  

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Absurdo

"Olhos submersos infligem regras postas, querem ser curados desta doença endêmica que aflige este coração desviante. Cegos que já não veem como antes, o ontem e o hoje estão fundidos na busca de sinais que não veem . Estes olhos, sentem que a razão da vida é absurda, são nada mais que patentes desadequadas a impressão natural do que é".

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre amar

Amar é muito importante para qualquer desenvolvimento espiritual ou intelectual. Isto é um fato, mas como todo fato, há os que são contra e conseguem transformar este doce fardo[1] simplesmente em dor e sofrimento. Será mesmo necessário sofrer tanto para se ter amor? Evidentemente, esta postura metafísica que me faz lembrar a penosa busca de Dante a Beatriz possui fortes resquícios nos dias de hoje. Mas, quem em sã consciência se ajoelha a tais dogmas? Há pessoas que seguem a manada e não sabem sequer o destino. Dissimulados em si mesmos, não se questionam um instante e semelhante a Janus, marcam as portas de entrada e saída com o mesmo caractere, o verdadeiro e o falso.


[1] Heidegger