domingo, 31 de julho de 2011

Sobre amar

Amar é muito importante para qualquer desenvolvimento espiritual ou intelectual. Isto é um fato, mas como todo fato, há os que são contra e conseguem transformar este doce fardo[1] simplesmente em dor e sofrimento. Será mesmo necessário sofrer tanto para se ter amor? Evidentemente, esta postura metafísica que me faz lembrar a penosa busca de Dante a Beatriz possui fortes resquícios nos dias de hoje. Mas, quem em sã consciência se ajoelha a tais dogmas? Há pessoas que seguem a manada e não sabem sequer o destino. Dissimulados em si mesmos, não se questionam um instante e semelhante a Janus, marcam as portas de entrada e saída com o mesmo caractere, o verdadeiro e o falso.


[1] Heidegger

6 comentários:

Gentil Martins do Santos disse...

Bom, caro Marcos, a alma perturba o amor; é, quase sempre, perturbado. A alma é inquieta demais, e ainda há o principio da realidade, o concreto da existência. Neste sentido, necessário não é, mas não cabe a nós tal decisão, não completamente, visto que o amor é algo do além... os deuses e os demônios. Não seria ele importante justamente porque traz sofrimento? Um masoquismo existencial? Neste caso, melhor seria seguir a manada, aquilo que lhe é próprio: a cegueira. Dele é própria a incerteza. Por isso fiquei mastigando este trecho: “Dissimulados em si mesmos, não se questionam um instante e semelhante a Janus, marcam as portas de entrada e saída com o mesmo caractere, o verdadeiro e o falso”. Verdadeiro e falso: quando se tem de optar, o sofrimento aumenta e, talvez, o amor deixe a alma assim... e aí ele proprio se tornar perturbador.
Ah, amor!

Marco Rodriguéz disse...

rsrrsrsrrsr

Oh Gentil e suas palavras que me inquietam profundamente e que sinceramente, as vezes nem sei o que responder.
Dessa vez vou ficar com Borges, escrevemos os textos para se ver livre deles....

dilita disse...

Então Marco,não tem "aparecido"?
Espero que não haja razão excepcional para o facto.
Eu penso que o doce-fardo aqui também se poderá aplicar (com reserva é certo) pois não tem nada a ver com o amor.Assim eu talvez chame antes fardo-doce ao blogue,o pêso é pouco,e tem alguma doçura. Mas é tentação que veio para ficar.
Um abraço.
Dilita

Gentil Martins do Santos disse...

O AMOR e o TERCEIRO EXCLUÍDO

Borges é maravilhoso. Embora seja preciso cortar, cortar, não imediatismo. O mestre do ensaismo afirmou, se o método exigir, o não publicado é até mais importante do que o publicado, neste caso imagina o tamanho da agonia... A dialética no seu estado puro. Há sempre dois lados da coisa.

O que eu escrevo, caro Marco, não assim e tal... é que gosto mesmo do que tu escreve. “Dissimulados em si mesmos, não se questionam um instante e semelhante a Janus, marcam as portas de entrada e saída com o mesmo caractere, o verdadeiro e o falso”.
Talvez não devêssemos escolher entre o verdadeiro e falso. O terceiro excluído é um tanto arbitrário.

Embora, às vezes, penso que, de fato, esta escolha seja falsa, talvez no estado de natureza ela não existisse. É que, do amor é próprio à liberdade. Ou não, o amor é uma essência? Por que ele, por que ela? É que ele, o amor, só funciona quando visto, ou antes, quando não visto, através do véu, sob a luz natural, ou seja, é uma aposta, é cego. Isto não quer dizer que eu exclua o bom senso, a consciência de... etc.

Marco Pólo nas suas aventuras encontrou uma comunidade que os seus homens viajam e oferecia suas mulheres aos estrangeiros, o que, de certo, elas adoravam. Neste caso, o terceiro era bem vindo.

Abç

Marco Rodriguéz disse...

Dilita e suas sabias palavras...
Estou sumudi, mas volto ja ja!

Abs do Brasil,

Marco

dilita disse...

Os escritores e os argumentistas souberam aproveitar bem esse sofrimento para criarem as suas obras!