domingo, 17 de junho de 2012
O custo social do progresso
sábado, 14 de abril de 2012
Leis de ameaça
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Absurdo
domingo, 31 de julho de 2011
Sobre amar

Amar é muito importante para qualquer desenvolvimento espiritual ou intelectual. Isto é um fato, mas como todo fato, há os que são contra e conseguem transformar este doce fardo[1] simplesmente em dor e sofrimento. Será mesmo necessário sofrer tanto para se ter amor? Evidentemente, esta postura metafísica que me faz lembrar a penosa busca de Dante a Beatriz possui fortes resquícios nos dias de hoje. Mas, quem em sã consciência se ajoelha a tais dogmas? Há pessoas que seguem a manada e não sabem sequer o destino. Dissimulados em si mesmos, não se questionam um instante e semelhante a Janus, marcam as portas de entrada e saída com o mesmo caractere, o verdadeiro e o falso.
[1] Heidegger
quinta-feira, 14 de julho de 2011
V

Desde o princípio soube destes acontecimentos, não muito claros, e às vezes escuros, tentava os entender na mais correta circunstância desaparecida. O problema foi que ao invés de encontrar, me perdi, e nada permaneceu dentro deste ser que tenta buscar alguma coisa.
Já sei! Migalhas! Migalhas ao vento!
Talvez esta seja a única resposta que eu tenha dentro de mim, mas não sei se esse eu é tão sério assim. Aquela idéia inicial, repleta de contradições e que todos reclamavam, tentei abandoná-la, mas, ela persiste em me seguir como uma sombra que não desgruda ao menos um segundo.
Saia de mim tentação! Desapareça! Deste jeito, eu não sei se eu estou neste mundo de fato, ou sou apenas uma peça nesta engrenagem enorme que engole milhões todos os dias. Este tormento, de não saber nada, e que de fato às vezes se sabe, o que parece até uma apologia da ignorância, me persegue, e aqueles que estão ao meu lado irritam-se, dizendo que tais confusões são frutos de devaneios que não faz sentido.
Ora bolas, os devaneios não fizeram sentido em muita gente? Por que raios tenho de justificar-me com o alheio? Tenho pouca coisa a oferecer, talvez, em milésimos de segundos elas se mostrem em instantes profundos, em clarões que me fazem entender aqui ou acolá como um todo dentro de mim. Estas coisas desaparecem como nuvem passageira.
Quando um dia souber ao menos aquele milésimo de segundo, verei um monte de coisas confusas e difusas, como o combate ao sofrimento, alegrias e dor. Quando encontrar-me em mim todas estas coisas, não serei mais eu, e as camadas de minha carne, as zonas de dor, os feixes sobrepostos estarão nos recônditos da incerteza de meu grito. Então, procurarei outro problema qualquer, desde que seja para iniciar novamente este ciclo repleto de feixes desfigurados neste interior.
Combaterei tudo novamente! Até as migalhas jogadas ao vento. Não sobrará nada de nada! E assim, aqueles acontecimentos serão grãos de areia desfalecendo em minhas mãos repletas de dor. Até chegar lá, outros lugares estarão abertos e novos clarões serão extensões do que vejo perante os meus olhos. É neste ponto de partida muito curioso e estranho que meu corpo se ilumina, em um doce fardo que se mistura em um monte de componentes aparentemente desconexos que deixam-me incerto de sentir a força dos sentidos das camadas de minha carne, atravessadas em zonas e feixes de dor.
Assim, corro e volto ao mesmo lugar.
*Desenho. Claudionor Rodrigues!
terça-feira, 28 de junho de 2011
“Razões do amor”
Este doce copo de cólera, onde saudade, ausência e dor são constantes e se misturam, revelam-se como um dos maiores segredos peculiares que tantos tentaram decifrá-lo e acabaram por sofrer as conseqüências deste mistério.
O que fazer então?
Amar...
terça-feira, 17 de maio de 2011
Estribeiras porosas
XC
Não há duvida que exista alguma coisas em nós, que não sabemos o nome e que nos deixa completamente cansados das coisas que fazemos durante o dia a dia. Aquela velha conversa sobre rotina, cansaço e afins surge como um pronto socorro de vozes perdidas em meio aos caminhos que não sabemos também quais são.
Há um caminho? Não se sabe. O mais próximo parece o único e evidente.
XCI
Talvez este caminho seja a cegueira denunciada por José Saramago em Ensaio sobre a cegueira, onde o claro para aqueles que não enxergam o palmo mão tem seus destinos traçados desde a tenra infância.
XCII
Diante desta situação, se vejo uma moça passar horas num ônibus apertado e sem condições de trabalho, se vejo um ladrão roubando alguém, se vejo as mínimas condições de vida serem roubadas sem nenhum propósito, eu tenho de ser contra a este assalto dominante, não posso passar indiferente e ver que tudo está tudo bem.
XCII
Somente aqueles que detêm os privilégios de ficar sem preocupações, vivendo uma vida bucólica, parecem ter o direito de não preocupar-se com tais acontecimentos, mas, por outro lado, estes despreocupados são os mais vulneráveis para a cegueira cor de leite denunciada por Saramago. Resta saber, quem é mais cego, aquele que vê, ou aquele que finge ver?

