quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pensar?

Vivemos um tempo em que vários autores, políticos, jornalistas, educadores e bicudos em geral, nomeiam a atual sociedade em que vivemos de sociedade do conhecimento, a qual conota o triunfo intelectual sobre um espaço físico, num tempo em que muitas pessoas falam em auto-reflexão para alterarem os processos de trabalho, bem como, suas trajetórias de vida.
A questão é que nesta mesma sociedade que proclama por pensamento e auto-reflexão, os determinantes da alienação são muitos e fazem com que a maioria da população mundial não tenha condições sequer para pensar por variadas razões: porque estão subnutridos para terem condições necessárias para pensar, porque vivem num cotidiano que lhes sufoca esta condição privilegiada, porque na sociedade do consumo, pensar é considerado um desperdício e finalmente, porque muitos acreditam que os meios de comunicação e as elites culturais pensam por nós tudo o que tem de pensar.
Devemos desconfiar daqueles que pensam por nós. Nesta sociedade que proclama auto-reflexão, há uma grande capacidade de refração da realidade, ou mesmo, da disponibilidade de pensamentos que destroem também milhares de vidas, bem como, sua qualidade e felicidade. Vivemos num mundo onde as pessoas trabalham demais e vivem constantemente esgotadas por excesso de trabalho. Ou seja, o tal do bem estar social que muitos falam por aí, nas grandes metrópoles é conquistado à base de fortes doses de medicalização. Não é a toa que temos presenciado um significativo aumento em antidepressivos e de demais remédios...
Por isso, devemos desconfiar daqueles que supostamente querem pensar por nós. Nos dias de hoje, o pensamento está estritamente atrelado a interesses, sejam minoritários, ou dos poderosos que avaliam a sociedade. Nestes pensamentos, há inúmeros que promovem o conformismo (a aceitação do que existe) o situacionismo (a celebração do que existe) e o cinismo (o conformismo com má consciência).
Por isso, é preciso agir e sentir porque o pensamento só é útil a quem não fica somente no pensar. Aqueles que se atribuem de pensar, passam a vida a conversar com mortos. A mesma morte que está dentro deles.
Este é o mundo contemporâneo: exige que pensemos, mas priva-nos das condições para pensar...

3 comentários:

Elaine Cristina disse...

Chega ao ponto de ter dias em que ter tempo para pensar é um luxo...

videoblogdofrancis disse...

A escravidão circunstancial nunca foi maior. É deprimente. Damos rótulos psiquiátricos pra nossa capacidade de reagir à toda essa loucura.

Apesar do título cabeçudo, o texto é ótimo, parabéns.

Marco Rodriguéz disse...

Caro colega, o que você quis dizer com o título cabeçudo?
abs