quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A ditadura da diferença

Temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza, temos o direito a ser diferentes, quando a igualdade nos descarecteriza”.(Antônio Teodoro)


A frase de Antônio Teodoro, sociólogo Português, pode servir muito bem para o tema aqui proposto: a ditadura da diferença.
De ante-mão, convém explicar a polêmica do tema. Há muito tempo se iniciou um debate em torno das minorias, porém, nota-se que estas mesmas minoria às vezes tentam nos impor goela abaixo seus padrões.Quem se prontifica ao contrário acaba  sendo taxado de reacionário.
Quando Feliciano apresentou seu polêmico projeto, houve uma ausência de fundamento sobre o debate e uma multidão caiu de pão em cima dele. Claro que Feliciano não é dos melhores em sua retórica e suas falas beiram o delírio, porém,  com lidar com tudo isso? Seguindo a baixaria padrão da mídia? Ou fundamentar e ver as causas do debate?
O exemplo de Feliciano é um grande exercício de se pensar os lados oponentes que não se acordam. Seguir o jogo de ofensas e delírios midiáticos só mostram como a gente segue facilmente a manada em suas opiniões.
A rasura predominante nos debates coloca em evidência a falta de busca e investigação de suas causas e problemas de propostas, e é neste contexto que fomentamos a cegueira social predominante nos dias de hoje, tentando impor a qualquer custo nossas opiniões.
Este contexto de humilhados e ofendidos talvez seja usado apenas como estratégia para a não compreensão de fato do problema de debater os projetos propostos a nós cidadãos.
Resta a nós apenas um desafio: debater, respeitar e não se valer deste jogo bárbaro que a mídia alimenta e incute em nossas cabeças.





quarta-feira, 1 de maio de 2013

O discurso politicamente correto: entre a censura e o autoritarismo


Existe uma onda em nossa sociedade onde tudo é motivo de debate e censura. Isto me preocupa. Primeiro porque as pessoas estão ficando cada vez mais chatas, segundo, porque, este discurso do politicamente correto que beira o desvario está cada vez mais comum em nosso cotidiano. Sociedades autoritárias disfarçadas de democráticas.
Esta chatice, típica do que se diz certo ou errado, censura até comemoração de gols no futebol. Neymar, por exemplo, fez uns gols por aí e recebeu cartão amarelo por indisciplina. O veterano Rivaldo foi censurado por comemorar seus gols colocando a camisa na cabeça. Ora essa, até para se comemorar um gol nos dias de hoje tem de se comemorar conforme a regra! Imagine se Viola jogasse nos dias de hoje e comemorasse a sua maneira. Coitado! Certamente seria censurado do futebol.
O último perseguido que deu o que falar foi o escritor Monteiro Lobato. Desconectados da realidade e da história, estes censores estão acusando o autor de Sitio do Pica Pau Amarelo de racismo. Esta acusação totalmente desconectada de seu contexto está desajustada. Grupos representantes do movimento negro dizem que o autor é racista por escrever negrinha e outras coisas. Trata-se de uma ignorância sem tamanhos. Ora, que censura é essa?
Imagine se esses censores lessem Marx, Aristóteles, Hegel e Platão. Este é perigo do discurso politicamente correto: dizer o que é certo, errado, o que pode e não pode. Pondé tem razão ao dizer que esta sociedade está ficando cada vez mais chata por caminhar rumo ao facismo.
Digo mais, a porta da ignorância está ficando cada vez mais aberta aos leitores desavisados e juízes de valores que pretendem reestabelecer a ordem dos bons costumes.
Que papo furado!
Caminhar por esta estrada supostamente correta, onde os recônditos do asylum ignorantiae ganham força, uma nova face parece surgir, o AI-5 com cara renovada e justificada. Toda esta ordem soa como já dizia Bakhtin “um pensamento autoritário como tal”. Devemos desconsiderar este discurso, e ignorar estes homens!

sábado, 20 de abril de 2013

Considerações sobre o nilismo e juventude


Nos dias de hoje a ausência de sentido parece tomar as ruas. Desde os jovens até os mais velhos, vemos que a maior parte das pessoas não estão mais preocupadas com maiores questões. A desvalorização, a morte de sentido, a ausência de finalidade e de respostas parece dominar o cenário atual. Ora, porque isto está tão comum nos dias de hoje? Os valores tradicionais caíram por terra e os princípios e critérios absolutos dissolveram-se. Tudo foi colocado em uma nova ordem, da qual muitos não sabem, mas compactuam como se fossem meros partícipes. Esses valores, antes, ancorados em verdades absolutas, hoje, estão despedaçados e o futuro próximo parece estar longe de nossos olhos.
Esta visão pode ser chamada de nilismo, que pode ser considerado uma descrença em qualquer fundamentação metafísica para a existência humana. Não se trata de algo difícil de ser definido, mas de ser apreendido. Sendo o nilismo um nadismo, pois usa tradução pode ser entendida desta forma, o nilismo não possui qualquer conteúdo positivo. Por se tratar de uma consciência negativa, esta só pode ser entendida na medida em que entendemos o que ela nega. Eis o ponto onde chegamos e queremos debater. A juventude de hoje, pretensamente nilista, descrente em valores, tem compreensão sobre o que se nega?   
Creio que não, e por uma simples razão. Os jovens de hoje são reprodutores de opinião midiática. Seus conceitos, valores e ideias em geral estão ancorados nestes aparelhos ideológicos que muitas vezes formam suas mentes. A ausência de critérios, criticidade sobre os eventos da sociedade é sinal de que estes não sabem onde sequer estão. A apatia sobre estes eventos seria um reflexo destes aparelhos que produzem ideias e comportamentos, dos quais, estes seguem sem saber. Neste sentido, poderíamos considerar, se o nilismo é esta descrença sobre qualquer fundamentação, (consciente sobre as coisas) a juventude de hoje não está neste patamar. O que queremos dizer é que estes não precisam saber do nilismo para o ser como tal, mas saber por que negam tais fundamentações e fatos, o que não acontece.
E assim, estes permanecem na inércia e espera de uma opinião para poder dizer, ou reproduzir algo.
O saber e justificativa por uma negação não há. E o que há então?
Reprodução.
Nada mais.


terça-feira, 9 de abril de 2013

IIdílica estudantil: um diagnóstico


“Nossa geração teve pouco tempo, começou no fim, mas foi nossa procura, ah, moça, como foi bela nossa procura, mesmo com tanta ilusão perdida, quebrada,mesmo com tanto sonho, onde até hoje a gente corta”

Durante os anos 70 acreditava-se que o marasmo cultural que assolava o país era devido à ditadura militar. Acreditava-se que com a ditadura e o fim da censura, os jovens se mobilizariam em prol de um novo país, uma nova ordem.
Não foi o que aconteceu...
Com a abertura política nos anos 80, não foi nada disso que aconteceu. Os movimentos continuaram dispersos e uma pequena parcela de jovens ousou rebelar-se. Tratava-se de uma pequena herança de maio de 68.
Ora, qual a causa desse marasmo?
O esvaziamento provocado pela mídia, talvez seja um dos principais contribuintes. Nos dias de hoje, não se preocupa mais com política, que virou coisa de gente doida. Em um país com mais da metade da população declarada analfabeta funcional, torna-se difícil funcionar alguma coisa.
Um projeto comum?
Qual seria o objetivo?
Que droga da obediência é essa que os jovens de hoje não sabem olhar o palmo que se encontra aos seus olhos? Resignados, em pleno estado de nilismo, sem consciência é claro! Vivem, ou melhor, sobrevivem de forma heterônima.
Mas, o que importa então? O imediatismo longe do Kayrós que tanto foi procurado. Deste modo, os herdeiros de maio de 68 nem existem mais, se existem estão nos recônditos de algum lugar que não os atinge. Enquanto os jovens de hoje, no Brasil, nem sabem o que foi maio de 68. Vivem na zona de conforto de suas pacatas vidas repletas de alienação espalhadas em facebooks, jornais, TV e etc.
Resignados, encontram-se e assim permanecerão. Distantes de tudo.
É a perda do espanto. 

domingo, 24 de março de 2013

Qual é a graça de espiar a vida dos outros?



Um espectro ronda a vida pública. Não é o comunismo. Antes fosse. Agora, o que preocupa alguns pesquisadores são as razões do sucesso de programas como BBB e a fazenda.
Antigamente as pessoas questionavam porque se perdia tanto tempo assistindo novelas, agora, tentam entender porque há tanto sucesso em ver tais programas. Hoje, se questionam sobre estas novelas reais.
No passado a questão era a privacidade, o fascínio pela intimidade invadida, um voyeurismo que fingia acreditar que era realidade ver aquela vida ali exposta. E hoje, o que está acontecendo com os tempos atuais, onde a inversão de papéis esta na cara de todos?
O que se pode ver nas TVs de hoje? Sexo, nudez, violência gratuita, baixaria, narcisismo básico e polêmicas, muitas polêmicas.
No fundo, tudo parece banal. O excesso de aparições mostra a falta geral de qualquer personalidade. O que querem todos que assistem a tais programas? Porque há tanta mobilidade social para votar em alguém que não merece receber os milhões de reais? O que acontece para as pessoas não se mobilizarem para algo que mexa realmente com os rumos deste país.
Claro. Não sejamos hipócritas. Sabemos que a onda de corrupção, a falta de seriedade dos políticos e de tudo que acontece neste país, só enraivece cada vez mais as pessoas que simplesmente não querem saber dessas coisas. Querem se distrair destes fatos e esquecer toda essa palhaçada.
A promessa de que vamos espiar, fazer uma vida transparente é pura balela.
Vivemos em tempos voyeurísticos, cuja finalidade é dar condições de acesso a este tipo de informação.
Este é o retrato do presente.   

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Onde estão os indignados do Brasil?



“Quando a gente olha para as coisas grandes, situação política, o aquecimento global, a pobreza do mundo, tudo parece mesmo horrível, nada está melhorando, não há nada de bom para esperar . Mas então eu penso nas coisas pequenas...sabe como é, uma garota que acabei de conhecer, ou essa música que a gente vai tocar com o Chas, ou brincar na prancha de esquiar na neve, no mês que vem, e ai parece ótimo. Então meu lema será este: pense nas coisas pequenas. (Ian McEwan. Saturdy)  

Cada vez mais os brasileiros se interessam menos por política. Desde o início da república, a grande parte assiste a distância os processos políticos regados a grandes doses de corrupção. No Brasil, a atividade política se tornou um verdadeiro show de Stand-up comedy. Aleinados e desinteressados, todos são vitimas de um longo processo que os faz ficar a margem da construção da historia da política brasileira. Este apolitismo é internalizado e muitas vezes acredita-se ser a postura mais correta diante de tanta corrupção.
A grande descrença e a falta de um horizonte se da na medida em que suas relações com as instituições políticas são praticamente nulas. Principalmente com relação aos candidatos que de quatro em quatro anos iniciam o ciclo vicioso de promessas do paraíso terrestre.
Este verdadeiro show político, onde a utopia foi esfacelada, acertou em cheio a pobre mentalidade brasileira. Deturpadas, as pessoas entendem (em sua maior parte) que a atividade política é um verdadeiro escândalo aos olhos dos que crêem em alguma coisa neste país.
Mas, como conciliar a apatia deste povo, o individualismo que assola a sociedade contemporânea?
Uma coisa é certa. O individualismo encontra-se enraizado em dois pólos. Primeiro está  nos representantes parlamentares, que como figuras publicas representam apenas seus próprios anseios, esquecendo o bem comum a população.. Segundo, o próprio povo, que com sua apatia, pensa apenas em suas vidas pacatas, achando que a política é uma causa perdida.
Sendo assim, o Brasil seria um país de idiotas?
Ao acreditar que o mais correto seria ficar distante de todo esse processo, o brasileiro assume a postura de preocupar-se apenas consigo. Neste sentido, a palavra idiota parece que cai como uma luva nas mãos do brasileiro. Na Grécia antiga, idiota (idiotes) é aquele que se preocupa com sua própria vida, em assuntos particulares. Neste sentido, a resposta a pergunta parece ser sim, na medida em que a população brasileira mostra-se mais preocupada em encher a geladeira do que participar ativamente dos eventos políticos.
Só um desvio para reverter esta ordem!          

domingo, 17 de junho de 2012

O custo social do progresso


Algumas pessoas dizem por aí que vale a pena fazer qualquer coisa para o país progredir. Outros preferem o contrário. Em uma sociedade supostamente preocupada com a ética, em que medida se torna possível realizar o progresso de um país tão complexo como o Brasil?
Dizem que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi um grande exemplo acerca da questão. Ao ser eleito presidente da república na enésima tentativa, Lula teve de aliar-se com pessoas de índole pra lá de duvidosa. Ora, qual o problema deste fato? Dar a mão ao inimigo, é o que dizem.
Para o Brasil evoluir economicamente, dizem os políticos por aí, Lula teve de rasgar suas lições aprendidas no partido dos trabalhadores para melhorar a vida dos próprios trabalhadores. Os mais radicais dizem justamente o contrário. Lula foi um pelego que traiu os trabalhadores ao aliar-se com Sarney, Collor e companhia, para ceder cargos para partidos duvidosos. Ora, a questão não seria saber se a classe trabalhadora que na maior parte tornou-se classe média melhorou de vida? Ou, debater a finalidade de tais alianças? 
De todo modo, o que é preciso saber é: o progresso é um mito renovado por aparelhos ideológicos interessados em convencer que a história tem um destino certo e glorioso. Neste sentido, seria uma insensatez negar os benefícios do governo Lula, porém, convém analisar os riscos ao aceitar o argumento de que Lula mudou para a melhoria de vida do povo. Ou então, para usar um exemplo engraçado acerca do tema. Maluf rouba, mas faz!    
Mas, esse tal progresso, discurso dominante das elites em todo canto, traz também em si paradoxos: exclusão, concentração de renda, subdesenvolvimento (em todos os aspectos), e restrição de direitos humanos essenciais.
Mais inquietantes são os riscos decorrentes trazendo em si seus dilemas éticos e morais.
Basta fazermos uma pequena constatação. O século XX com seus imensos saltos tecnológicos e científicos trouxeram guerras, mortes, tragédias e misérias. Fez brotar desenvolvimento? Sim, fez. Contudo, mal sabemos os riscos que corremos e os problemas futuros que ele pode ocasionar.
Antes de qualquer análise é preciso saber quem determina e quem escolhe a direção desse tal progresso e com que objetivos é escolhido. Se não, ficaremos na omissão embevecida do rebanho do que da ação crítica vigorosa que merece este debate.