domingo, 6 de setembro de 2009

Dissolveste-me

Seu corpo dissolveste-me brandamente no casto cálido de límpidos olhares, numa ternura pávida e excitante que aos poucos mantinha-me sublime; anoitecera devagar e sentia fielmente seu corpo escorrer levemente pro chão. Nesta altura, sem seguir regras, regava meu quintal com tudo que explicava-me, que obscenidade! Deixaste-me andar por todos os cantos, a ficar sobreposto aos teus movimentos; e em teus gestos. Aliás, já era tarde pra se conter, uma vez que penetrava intrinsecamente no profundo destas águas (...)
Que excitação sobre mim!
Nada de pachorra, pelo contrário, desfavorável ao que ligeiramente era indisposta, não queria que aquele chão, - onde caiu aquele fiozinho inocente, fosse virginal as pernas que se deslizavam docemente entre o que penetrava densamente naquelas águas escorridas, abriam-se tranqüilamente pr’os cantos; ai que pena de mim!
Loucura e lucidez em um só.
Delírio?!
Que absurdo!
Levemente, retiraste do chão, sobreposto a teus movimentos e teus gestos, era o momento de calar-se, uma vez que não sabia o que fazer naquela ocasião excessiva de cantos exagerados! Desvairada, desmedida, ensandecida, encontra-se pelos cantos d’água que molhavam novamente o voto secreto do devir...
Era hora de regar-se novamente nas águas.
Do disfarce que levemente era virgem, opunha-me as intimidades que lhe cobriam, queria-te despida deste desconforto vago que levianamente mantinha-me entre o desejo de ter e de me conter nestas águas que regavam-me densamente...
Que alegria!
Não era hora de se conter...
Por isso que ao notar-te ali no chão, sendo água, amor e terra, numa face conturbada e íntima; nada desterra (...) e aquela aflição causada que não desespera, retém, o que não é múltiplo, conturbado e imóvel; apenas, dissolve-me no olhar de indas e vindas que endez de calmaria, levara-me a amaria!
E assim ficou sendo...
Um sopro de vida.

2 comentários:

Vinícius Canhoto disse...

O que haverá por detrás dessa dissolução? A que tal linguagem se refere? Tais arcadismos sugerem em público algo privado que não poderia ser publicado sem os meandros literários deu romantismos de fim de século XIX? Ah, se Bakthin lesse isso... rs... Ainda bem que ele está morto e aí então podemos gostar do texto sem sermos russos... rs.

Marco Rodriguéz disse...

Talvez seja esta a dissolução que se refere. Nunca pensei sobre isso. Escrevi este texto há muto tempo e agora com Bakhtin, que é um crítico violento do século XIX, percebo algumas coisas.
Mas a escrita não é um tanto pós moderna. Esse lance de dissolução é de sua área...srs